Alimentação das Aves em Cativeiro.

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Botão em Curso Alimentação das Aves em Cativeiro.

Mensagem por MARTÍN em Qui 10 Jul 2014, 17:15

O Problema da alimentação das aves pequenas de gaiola e de viveiro e sentido particularmente pelos criadores, principalmente durante o período de reprodução, e os numerosos artigos publicados pelas revistas do setor são uma confirmação clara disso. Há ornicultores que fazem as coisas ”pelo olho”. Existem outros, ao invés, que controlam escrupulosamente pesos e capacidade nutricional de todos os componentes de sua ração.

Recentemente tive a oportunidade de presenciar a uma discussão entre um velho apaixonado pelos canários e exóticos, cheio de experiência, e dois jovens criadores das mesmas espécies, muito técnicos e com bons resultados de criação. Quando os encontrei eles estavam conferindo as percentagens dos princípios ativos presentes em alguns produtos do comercio; verificando integradores e vários aditivos, para preparar três tipos diferentes de ração com dosagens de proteínas, lipídios e glucídios, rigidamente fixadas por uma tabela, que colocaram bem a mostra numa parede, observada com certa ironia pelo velho criador. Aquela atitude sarcástica tocou na suscetibilidade de um dos jovens que logo disse: ”Você que claramente zomba, pode me explicar como faz a sua ração.” O velho listou: Alguns pães-de-ló, um pouco de ovo, um pouco de caseína, um punhado de ração X, um pouco de farinha de pão, um pouco de farinha amarela, um pouco de levedura de cerveja. as vezes um pouco de... ou um pouco de...”. Não me lembro dos dois últimos ingredientes, mas recordo que os jovens logo tentaram quantificar os componentes da mistura e, calculadora na mão, fizeram as contas: a ração tinha, em relação ao relatado pela tabela, muita gordura e pouca proteína.  

O velho zombou: ”Menos mal, disse, que as minhas aves não o são e até agora, fazendo esconjuros, cresceram sempre bem, e esperamos nunca aprendam a ler livros.”  A conversa se fez animada. De um lado bailavam protídeos crus, pareceres de ilustres especialistas etc. Do outro lado os ótimos resultados obtidos criando-se com larva de lepidópteros e coleópteros com ração caseira, que seguramente não conseguiam os percentuais de protídeos aconselhados pela tabela para os granívoros, ou para os insetívoros indígenas de pequeno porte. A disputa foi longe, mas no final cada qual permaneceu com sua convicção própria, devido os resultados obtidos considerados positivos. Para esclarecer a aparente contradição entre isso, justamente, aconselhado pelos zootécnicos e os resultados positivos que em alguns casos pode ter com uma alimentação não propriamente ótima, basta se mencionar a complexidade dos processos metabólicos dos protídeos, lipídeos, glicídios, revolvendo alguma noção de química biológica.  

Protídeos e Proteínas
As proteínas ”primárias” - o termo foi usado pela primeira vez pelo químico holandês G. J. Mulder em 1838 – são indispensáveis para que o complexo complicadíssimo dos fenômenos que chamamos ”vida” possa ocorrer. Para destacar a sua importância, basta lembrar que as proteínas são os constituintes essenciais de todas as células dos organismos, da pele aos músculos, dos nervos as enzimas conhecidas, dos anticorpos aos numerosos hormônios. Estas substâncias. Como outras macromoléculas (por ex. os polissacarídeos) são polímeros, isto e, produtos formados por moléculas menores, mas com uma diferença substancial. De fato, enquanto os polissacarídeos, e isto vale também para os ácidos nucléicos. São formados de um ou poucos tipos de molécula. Em quase todas as proteínas animais e vegetais se encontram. Mesmo se em diferentes percentuais, cerca de vinte moléculas deferentes “. Os aminoácidos”.

Levando-se em conta que as proteínas são constituídas de centenas e ate milhares de aminoácidos (a miosina possui 4.300 deles) em percentagens e combinações, diferentes, e que a propriedade físico-química ou biológica pode mudar profundamente variando um só aminoácido na combinação da molécula, e possível se perceber a complexidade da estrutura e das funções destas substancias.

”Os aminoácidos que interessam a síntese de proteína são 20: glicina, alanina, serina, ácido aspártico, asparagina, ácido glutâmico lutamina, cisteína, prolina, tirosina, arginina, histidina, lisina, triptófano treonina, metionina, fenilalanina, leucina, valina e isoleucina.  
”Nem todos os aminoácidos são sintetizados pelos animais; alguns são assumidos diretamente das proteínas, vegetais, dai a distinção em aminoácidos essenciais e aminoácidos, não essenciais.  

Os aminoácidos essenciais não são os mesmos em todas espécies. Para o homem, por exemplo, são essenciais, já que não se realiza a síntese: Usina, triptofano, treonina metionina, fenilalanina, leucina, valina, isoleucina e histidina. Essencial e também, embora sintetizada, a arginina, já que a sua velocidade de degradação e superior a velocidade de síntese.  
A distinção entre aminoácidos essenciais e não essenciais não e então nítida como foi pensado. Referindo ao frango, alguns aminoácidos essenciais como cistina, ácido glutâmico glicina, prolina e tirosina em alguma condições (crescimento, presença ou ausência de determinadas vitaminas etc.) podem tornar-se essenciais, porque foram sintetizados pelo organismo em quantidade insuficiente.

Por outro lado estudos cuidadosos tem demonstrado, que uma administração teoricamente suficiente para cobrir as necessidades protéica efetuadas’ somente com aminoácido essenciais rapidamente produzia um acréscimo de 25 a 28% inferior aquele obtido administrando-se ao mesmo tempo também outros aminoácidos essenciais; que a cistina pode reduzir a necessidade diária da metionina; a tirosina reduz aquela da fenilalanina; a vitamina PP aquela do triptofano, só para citar alguns exemplos.  

Só uma parte do aminoácidos, essenciais ou não, com exceção da lisina, uma vez introduzidos no organismo são utilizados assim como são para a síntese protéica ou para entrar em particular substância; boa parte ao invés sofre processos metabólicos de degradação e re-sínteses e são transformados, dependendo das necessidades, em outros aminoácidos, em glicose, em gorduras ou se destinam a particulares metabolismos específicos.  

A síntese protéica e mediada por regras precisas que podemos assim resumir:

1) Contemporanidade da presença de todos os aminoácidos em quantidade suficiente para a síntese daquela dita proteína (conceito de contemporanidade).

2) Relação ótima entre os aminoácidos essenciais e não essenciais, de forma a pedir a utilização metabólica dos primeiros para funções que não sejam aquelas de síntese protéica (Conceito de equilíbrio dos aminoácidos). O excessivo aporte de um só aminoácido provoca freqüentemente parada no crescimento e lesões hepáticas graves.  
Os organismos animais, a diferença de quanto se tem para os lipídeos e os glicideos, levam a acumular os protídeos somente em pequena parte, assim ha a necessidade de um aporte continuo desta substancia. Em conclusão toda espécie animal, em relação a variadissimos fatores (características metabólicas, atividade motora, temperatura ambiente, umidade etc.) precisa de uma quantidade mínima diária de proteína ou mais exatamente de aminoácidos essenciais e não essenciais, para que as funções vitais sejam asseguradas de maneira ótima.  

Para o homem adulto este aporte protéico oscila entre um grama e um grama e meio por quilo de peso corpóreo. O valor nutritivo de uma proteína varia em base para o conteúdo, em aminoácidos essenciais.  
Assim, como já foi mencionado, a quase totalidade das proteínas, seja pura com marcadas variações percentuais, contenham todos os aminoácidos, se encontra na natureza proteína faltando um ou mais aminoácidos ou que o contenham em percentagens muito baixas; necessidade, assim, de uma alimentação o mais possível variada para ter a segurança de uma dieta ótima. Assim, os cereais que contenham proteínas com percentuais baixos de lisina e triptófano podem ser integrados com laticínios, que estes aminoácidos contenham em abundância. Quem não lembra entre os velhos criadores a papa de pão e leite com a qual os antepassados dos nossos atuais pássaros, cuidavam e levavam a independência robustas ninhadas? No homem ate alguns anos atrás era aconselhado um aporte protéico constituído de 50% de proteínas animais e outro tanto vegetais; depois recentes pesquisas colocam em evidência como as proteínas vegetais de algumas leguminosas (soja, grão-de-bico, tremoços, etc.) tem um valor biológico quase igual aqueles animais a relação aconselha atualmente, e respectivamente, de um terço e dois terços.

Lipídios  Por hidrolise eles se separam em um ou mais ácidos graxos, álcoois, glicídios, substâncias nitrogenadas, acido fosfórico etc. Pelo que se refere as suas atividades biológicas podem ser divididos em dois grandes grupos: lipídios celulares e lipídios de depósito. Os primeiros desenvolvem funções altamente especializadas participando na constituição as estruturas essenciais da célula; concentrados na periferia controlam a permeabilidade da membrana defendendo assim a vida própria da célula. Os lipídios celulares são constituídos na maior parte por lipídios complexos e por esteróis combinados com outras substâncias como protídeos etc; a sua concentração não e influenciada pelo jejum mesmo prolongado. Os lipídios de deposito se encontram em certos tecidos como o subcutâneo em células mesenquimatosas diferenciadas, ditas também células gordurosas, podem ser acumulados em grande quantidade constituindo sobretudo uma reserva calórica.  

Finalmente deve-se lembrar de alguns ácidos graxos polinsaturados: o ácido linólico, o ácido linolenico e o ácido araquidonico (este ultimo sintetizado nos animais pelo ácido linó1ico), chamados também de ácidos graxos essenciais, se comportam como vitaminas; de fato o sinônimo e vitamina F.  Glicídios  Os glicídios eram conhecidos como ”hidratos de carbono”, termo impróprio já que nem sempre o hidrogênio e o oxigênio estão na proporção na água, são geralmente considerados ”substancias ternárias”, isto é, compostas de C H O; também neste caso, porém, não se pode generalizar: os tioaçúcares (eles contem enxofre) e os aminoaçúcares (ele contem nitrogênio) são uma confirmação disto.  
Difundidos no reino vegetal como material de apoio (celulose) ou como substancia de reserva (amido) desenvolvem nos organismos animais, alem de uma função energética de importância primaria, insubstituíveis funções plásticas, basta lembrar que os glicídios participam da síntese dos lipídios cerebrais, de coenzimas e que o desoxirribo, um glicídio com cinco átomos de carbono, e um dos componentes essenciais do DNA.  

Todos os glicídios, oligossacarídeos e polissacarídeos digeríveis, são separados em monossacarídeos e utilizados como glicose. A glicose, em relação às necessidades do organismo, pode seguir diversos destinos:  
1) Ser transformada no fígado e nos músculos em material de reserva (glicogênio).  
2) Utilizada com fim energético.
3) Transformada em gordura ou aminoácidos.  
4)  Convertida em outros monossacarídeos para virar em particulares metabolismos.  
Os glicídios provem quase exclusivamente do reino vegetal; o aporte do reino animal, excluindo o leite, e desprezível.  Recapitulando temos então:  Funções plástica e energética, seja por medidas diferentes de protidios, lipidios e glicidios. Possibilidade de .Síntese de lipídios e glicídios de aminoácidos, de glicídios de lipídios; de lipídios de glicídios; de aminoácidos de glicídios e lipídios de transaminação utilizando, assim, outros aminoácidos.  

Necessidade de introduzir no organismo durante um dia uma dose X de aminoácidos essenciais e não essenciais para cobrir a necessidade das sínteses protéicas, exigência que, como já vimos, e influenciada por variados fatores e muito diferente de espécie para espécie.  
Para esclarecer o conceito basta confrontar entre eles a necessidade quantitativa diária de alguns aminoácidos essenciais para o homem, à mulher e o pintinho, quando a dieta fornece nitrogênio suficiente para a síntese dos aminoácidos não essenciais.

Velhos criadores de canários frisados parisienses conseguiam sucesso com esta raça sem conhecer a genética

Tomando-se, por exemplo, leucina, lisina, metionina e triptofano, vemos que as doses ótimas, expressas em gramas, são, para a leucina respectivamente de 1, 10 g/dia e de 0,62 g/dia, para o homem e mulher, e de 1,4% na dieta do pintinho; para a lisina, respectivamente: 0-80g/dia, 0,50 g/ dia e 1% na dieta; para a metionina: 1,10 g/dia, 0,55 g/dia, e 0,45%; enfim, para o triptofano: 0,25 g/dia, 0,16 g/dia e 0,2%.  
E fácil então entender como em certos casos uma alimentação, não manual, mas apetitosa, de fácil e rápida digestão, administrada por solícitos embicadores para filhotes sãos e famintos, possa dar igualmente resultados; entretanto, em outros casos, aquela ideal mas menos apetitosa ou digerível da resultados não satisfatórios, distúrbios intestinais e intoxicações.  

Fácil também entender como um empírico, substituindo a prática pela, gramática, baseando-se em experiências, possa ter sucesso também sem conhecer a química biológica. Lembro-me que os velhos criadores de canários frisados parisienses conseguiam sucesso com esta raça sem conhecer a genética e, muito provavelmente, com escassas noções de alimentação. Um pouco como certos feiticeiros do terceiro mundo que misturando entre eles si de plantas das quais não conhecem a composição química e os íntimos mecanismos fisiológicos conseguem curar feridas com a mesma rapidez e eficácia de um professor de dermatologia.

Fonte:Alamano Capechi –Itália
Revista Pássaros nro 24 2000 ano 5


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