O Canário Limítrofe

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Mensagem por UNIVERSO DOS CANÁRIOS em Qui 04 Jul 2013, 21:52

O CANÁRIO LIMÍTROFE

Antonio Carlos Lemo – Juiz OBJO/FOB
Revista Brasil Ornitológico Nro43/2001

O canário Limítrofe é aquele que está na “fronteira” entre uma raça e outra. Possui características de outra raça além da sua. Não se trata de um pássaro atípico, mas sim, de uma certa mistura de características que às vezes podem passar desapercebidas.
Há alguns anos, venho notando o aparecimento de inúmeros pássaros em concursos regionais e brasileiros, com forma e tamanho no limite ou muito próximo daquele especificado no stand da raça.
Um exemplo claro disto, são os pássaros da raça Gloster que, com topetes e cabeças fenomenais, “cegam” os criadores que não percebem que o tamanho do pássaro também aumentou, que o pescoço está destacado, que o peito é de “pomba”. Deve ter sido cruzado com o Norwich ou Crest e junto com o tamanho da cabeça/topete veio também o corpo, a forma etx.
A raça Gibber Italicus também está sendo muito prejudicada no item tamanho, pois na ausência de reprodutores autênticos, estão cruzando-o com “Frisado do Sul ruim”. Daí vai por água abaixo não só o tamanho do pássaro, mas também o tamanho das penas. Então o infeliz do criador faz a gentileza de “depilar” o peito e as penas do coitado.
Imagine só o que nos é apresentado na hora do julgamento.
Covardia está acontecendo com, outrora, belo Yorkshire.
Quem já teve o prazer de ver de perto um York autêntico, apreciar sua forma, imponência quando em posição, jamais cruzaria-o com um Lancashire. Hoje é raro encontrarmos York puro, a maioria tem cabeça um pouco achatada, ombros e pescoço definidos, e quando o criador é pior do que o pássaro em questão, também apresenta-se com as “penas de galo”.
Também tem aparecido grande quantidade de Hoso Japonês, mas raros, com o tamanho ideal, ou seja, 11 a 12 cm, do tamanho de um Raça Espanhola, Você já viu algum? Se já, considere-se um privilegiado, pois é raro.
No caso da raça Norwich e Crest Bred, torna-se, às vezes, constrangedor julga-los. Se o criador do Norwich também cria Gloster e Crest o angu é do caroço. Na hora do cruzamento, se falta um Norwich ele põe um “Crest ruim” e vice-versa. Quando nascem os filhotes, se sai um pequeno ele inscreve como Gloster, se tem tamanho bom e cabeça meia chata, joga como Crest e por aí vai. O juiz que se... VIRE.

O cúmulo dos cruzamentos:
“-O senhor por acaso tem uma fêmea de Frisado do Norte pequena, meio fora do padrão para me arrumar? É que eu tenho um macho Fiorino muito bom e me falaram que dá para cruzar!!!”
Não pense que é invensão minha, pois esta pergunta fizeram à mim.
O cruzamento entre raças pode ser muito bom, desde que se tenha em mente o objetivo, um método a ser aplicado e muito critério. É um trabalho que exige paciência. A maioria das raças que temos hoje, nasceram de cruzamentos criteriosos entre raças.
A maioria dos criadores, ao contrário do que deveria, não preza a qualkidade do plantel, mas sim a quantidade de pássaros que conseguiu criar. A pergunta mais comum quando encontramos algum amigo é: - Criou muitos filhotes? –Quantos? Só depois de muita conversa vem: -Saiu algum bom?
Em defesa, o criador poderia dizer que cria canários como hobby. Está certo, eu também” Mas nem por isso eu faço acasalamentos “experimentais” e vendo os filhotes “et´s” para os amigos inciantes ou menos esclarecidos e muito menos compro pássaros sem procedência, menos ainda levo-os à julgamento.
A cada ano que passa, cresce o número de pássaros “Limítrofes” na Canaricultura de Porte, pois, quase todas as raças estão sendo miscigenadas.
A canaricultura de porte merece uma atenção especial, pois, um crescimento desorientado pode ter conseqüências muito sérias num futuro próximo.
Eu, particularmente, defendo uma atitude radical com relação a este tipo de pássaro, devendo ser desclassificado todos os que se apresentarem Limítrofes, mesmo que não sobre nenhum para pontuar. Pois, se não o fizermos, estaremos incentivando outros criadores a adquiri-los e começar uma nova criação totalmente equivocada, pois ele confiou no primeiro lugar concedido por nós.
Se forem adotadas estas medidas, com o tempo só aparecerão pássaros dentro do padrão da raça para serem julgados.
Volto a dizer: a canaricultura de porte merece uma atenção especial, pois, um cruzamento desorientado, pode ter conseqüências muito sérias num futuro próximo.
Portanto amigo criador, acasale sempre pássaros da mesma raça. Procure por bons reprodutores, com procedência garantida e se possível, confira o registro de nascimento e compare com os pais.
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