Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

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Botão em Curso Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por UNIVERSO DOS CANÁRIOS em Qui 04 Jul 2013, 22:09

Relembrando a primeira mensagem :

Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso?


I- Introdução
0 uso do Ivomec na criação de aves ornamentais começou como o de vários outros medicamentos, como antibióticos, antiinflamatórios, etc.: com adaptações de fármacos produzidos para mamíferos como cães, bovinos e até mesmo humanos, ou da avicultura de produção, onde considerando-se os pesos das aves, as doses são altíssimas.
A rigor esta atitude não é condenável pelo fato de que naquela época e até mesmo hoje haver uma carência de medicamentos específicos para passeriformes. Essa prática pode e até deve continuar por facilitar o tratamento de nossas aves, porém, se algumas observações básicas não forem feitas, isso pode levar ao fracasso, o melhor plantel do mundo.
A ivermectina (Ivomec está no mercado desde 1981 e até hoje é um dos antiparasitários de maior sucesso no tratamento de endoparasitas (nematóides), ectoparasitas (ácaros e piolhos sugadores). Isto se deve por sua ação particular no sistema nervoso (GABA) dos parasitas, o que dificulta o aparecimento de resistências.
Por essa capacidade de ação no sistema nervoso, começou-se a estudar uma possível ação, do fármaco no sistema nervoso dos hospedeiros (aves, bovinos, cães, etc.). detectando-se alguns efeitos colaterais em algumas raças de cães e também em animais que receberam superdosagem. Esses efeitos colaterais variam de incordenação motora e tremores transitórios, perda de fertilidade por algum tempo em mamíferos até mortes em alguns casos.
Devido à carência de estudos a respeito do uso e efeitos colaterais de ivermectina em aves, decidimos desenvolver um trabalho específico, em conjunto com o departamento de Farmacologia, Toxicologia e Patologia da USP, patrocinado pelo CNPq. Este trabalho ainda está em andamento sob os estudos da Dra. Camila G. Pontes (formanda da USP), e a cada nova fase, mais subsídios são somados aos resultados demonstrados a seguir:

II - Objetivos
A intenção de se tratar a ação e os possíveis efeitos colaterais da ivermectina em aves teve como principais objetivos confirmar a eficácia da dose recomendada no tratamento de endo e ectoparasitas, determinar os efeitos na reprodução (número de ovos, ovos brancos, morte embrionária e viabilidade de filhotes), além de fixar o que seria uma superdosagem prejudicial às aves.
Foram usados 36 casais de manons (Munia demonstica) em gaiolas separadas onde observou-se por 2 ninhadas os parâmetros reprodutivos acima indicados. Os dados foram anotados e logo após essas duas ninhadas. os casais foram divididos em quatro grupos para a administração da droga.

Grupo 1 - Controle injetado apenas propilenoglicol*(diluente)
Grupo 2 - Machos tratados com Ivomec
Grupo 3 - Fêmeas tratadas com Ivomec
Grupo 4 - Casal tratado com Ivomec

A aplicação foi feita na dose de 0,01 ml por kg de peso vivo (dose recomendada na literatura) por via intramuscular peitoral. Para conseguir um volume significativo para a aplicação houve necessidade de diluição do Ivomec em propilenoglicol. Observou-se a reprodução e na análise das ninhadas houve um aumento na produtividade (número de ovos e de filhotes) explicado pela desparasitação das aves.
A partir desta constatação começamos a aumentar as doses na ordem de 10 vezes para cada ninhada onde começaram a aparecer alterações reprodutivas como queda do número de ovos e/ou queda de fertilidade (ovos brancos).
Hoje o experimento continua e já está em uma dose bastante elevada sem apresentar sinais clínicos de efeitos nas aves, a não ser diminuição da reprodução.

III - Conclusões
1 - Confirmou-se a eficácia do Ivomec no tratamento de endo e ectoparasitas das aves ornamentais.
2 - Confirmou-se a dose recomendada e a ausência de efeitos colaterais tanto nas aves quanto na sua reprodução nessas condições.
3 - Confirmou-se o efeito prejudicial se usado em dose errada ou de forma continua.
4 - Em dosagens muito elevadas pode provocar convulsões, tremores, cegueira e até morte.
5 - É o medicamento de maior eficácia para o tratamento de ácaro de traquéia e com os resultados rápidos
6 - Pela dificuldade de diluição a campo, foram feitas algumas adaptações como colocar uma gota de seringa de insulina na musculatura do peito, ou usar a formulação Pour-on (azul) pingando no bico ou na nuca da ave.
7 - Seguindo essas formas de administração, não se consegue atingir doses prejudiciais podendo ser usado com segurança tanto para a ave quanto para a sua reprodução.
8 - O único cuidado deve ser com a época e a freqüência de administração do Ivomec, que deve ser determinada pelo veterinário responsável pelo plantel de acordo com a espécie, época de reprodução e grau de parasitismo.

IV - Considerações Finais
Esses dados foram extraídos de trabalho científico realizado por nós dentro da faculdade de Medicina Veterinária da USP e confirmados na prática em nossa criação situada no município de Batatais, São Paulo, onde tratamos diferenciadamente 3000 matrizes de 28 espécies de aves.

Rodrigo Silva Miguel
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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por GARUTTI em Ter 08 Abr 2014, 10:58

PRA MIM O MELHOR, NÃO USO NEM VERMIFUCO SOMENTE IVOMEC...
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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por Diego_ em Seg 17 Ago 2015, 16:32

Pessoal, eu tenho esse ivomec pour on mas acabei esquecendo ele e usei como vermífugo esses "normais" via oral mesmo, será que espero mais uns quinze dias para poder aplicar o pour on? e se usar, devo esperar quanto tempo para juntar o casal? obrigado.
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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por MARTÍN em Seg 17 Ago 2015, 20:52

Pode usar Diego.


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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por José Bittencourt em Seg 21 Set 2015, 15:15

Boa tarde pessoal.
Esse canário mosaico que está lá em casa continua com aquele canto baixo e sem sair o som no começo. Em conversa com o cara que me passou ele, ele mencionou que percebeu outro canário na sua casa com os mesmos sintomas e ao se informar, ficou sabendo que poderia ser ácaro. Levei o passarinho na casa dele para ele aplicar o Ivomec Pour on. Eu achava que tinha que aplicar 2 gotas na nuca, mas ele falou que seriam 3, e como o passarinho é dele, ele fez o que achou melhor, conclusão, isso foi no sábado de manhã, a tarde o passarinho parecia estar ofegante e meio tonto, no domingo ele ficou encolhido grande parte do dia com os olhos fechados e paradinho no poleiro, dava até para colocar a mão nele e quando começou a se mexer, parecia estar meio tonto, chegou a cair do poleiro. Liguei para o cara informando do estado do passarinho e que eu achava que ele tinha exagerado na dosagem e ele me disse que o que estava na casa dele estava direto no fundo da gaiola. Hoje o passarinho amanheceu mais animado, até cantou um pouquinho. Morrer não vai, mas houve um exagero na dosagem.

Qual a quantidade de gotas de ivomec pour on que os colegas acham que é o necessário para medicar o pássaro sem esse excesso? E qual a melhor região a ser aplicada?  

Filhotes com aproximadamente 20 dias podem receber ivomec pour on e quantas gotas?

Abraços

José Bittencourt
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Mensagem por DAVI COUTINHO em Ter 22 Set 2015, 00:28

Boa noite amigos do Universo dos Canários!

Conforme está amplamente explicado na matéria de abertura deste tópico o Ivomec é um grande aliado do criador no combate de parasitas que acometem os animais domésticos, e também os canários. Todavia não podemos considerá-lo como solução para todos os problemas de saúde de nossos canários; É bom lembrar que ele é efetivo somente nos problemas respiratórios provocados por ácaros de traquéia, para problemas respiratórios causados por outros patógenos é necessário recorrer aos medicamentos específicos, de acordo com a avaliação do veterinário.

Respondendo a pergunta do José, a dose do Ivomec pour on para canários adultos é 2 gotas na coxa ou na nuca do pássaro. Para filhotes, somente a partir dos 15 ou 20 dias de nascido, a dose pode ser 1 gota na parte mais carnuda da coxa, não aconselho dar na nuca devido a proximidade com o tecido da medula espinhal, que em hipótese alguma poderá ser atingida nesta fase, sob pena do filhotes perder a coordenação motora para sempre, devido a ação deste fármaco no sistema neurovegetativo dos animais. 

Para diminuir a possibilidade de contaminação dos filhotes por ácaro de traqueia, ainda no ninho, é necessário trocar o forro do ninho ou o próprio ninho no dia de anilhar os filhotes, ao sétimo dia depois de nascido, e procurar manter a limpeza dos ninhos e da gaiola criadeira durante todo o período da criação.
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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por Akylos em Qui 24 Set 2015, 23:37

Uma das reações adversas do ivomec é a cegueira temporária. Tive esse problema com um dos meus canários, e essa foi a explicação dada por uma veterinária da UnB.

Após três dias da aplicação (que foi intramuscular), o canário voltou ao normal

De qualquer forma, é bom não exagerar na dosagem.
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Mensagem por DAVI COUTINHO em Sex 25 Set 2015, 16:31

Boa tarde Aquiles e amigos do Universo dos Canários!

É isto mesmo Aquiles, o Ivomec pode ser um grande aliado no combate e parasitas que afetam os animais, inclusive pequenos pássaros. Mas é importantíssimo acertar na dose e na aplicação, caso contrário estes efeitos colaterais aparecem, e o pior deles é a esterilidade do canário, que apesar de muitos discordarem, é um fato sobre o qual já fiz experiência. Esta esterilidade pode ser passageira ou definitiva.
Todavia na dose certa é um vermifugo de primeira linha, além de combater piolhos e qualquer outro parasita que se alimenta de sangue e tecidos.
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Botão em Curso Re: Ivomec: Mocinho? Vilão? Ou outra vítima de mau uso.

Mensagem por José Carlos Pereira em Dom 11 Out 2015, 18:08

Amigos.
Vira e mexe surge o assunto ivermectina no Universo. Há um aspecto social e sanitário/epidemiológico que gostaria de enfatizar. É medicamento ainda de grande importância no tratamento da oncocercose e da filariose, pragas que assolam milhões de habitantes do planeta Terra. Milhões. Tão importante que o prêmio Nobel de Medicina desse ano foi concedido aos estudiosos da ivermectina Campbell e Omura. Portanto, é medicamento que deve ser respeitado e usado somente em último caso por criadores e, assim mesmo, com orientação de quem profissionalmente de direito. Sem isso, corre-se o risco de colaborar com a possibilidade de resistência dos parasitas a esse interessante e importante medicamento.
Como criadores, não podemos e não temos o direito de sermos responsáveis pela transmissão de zoonoses ou facilitadores de resistências a medicamentos.
Envio pequeno trecho do trabalho que fiz (alguma coisa já foi postada no Universo) sobre a ivermectina para mostrar a sua importância no arsenal terapêutico.
José Carlos Pereira



 BOLETIM DO CRIADOURO CAMPO DAS CAVIÚNAS

                         Nº 11     JANEIRO  DE 2004
                    REDATOR:  Dr. JOSÉ CARLOS PEREIRA

       RUA JOAQUIM DO PRADO, 49.  CRUZEIRO/SP. TELEFAX  0xx12 31443590          

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                                                       IVERMECTINA
 
Em 1979, J. R. Egerton e colaboradores publicaram, no Antimicrobiology Agents of Chemotherapy, o artigo “Avermectins, new family of potent anthelmintic agents: efficacy of the B1a component”, resultado do estudo com produtos naturais, mostrando que a fermentação de brotos do actinomyceto Streptomyces avermitilis, um fungo do solo, tinha efeito curativo sobre infecções determinadas pelo Nematospiroides dubius em  camundongos. No mesmo ano T. W. Miller e colaboradores, que estudavam avidamente o assunto, conseguiram isolar de culturas do fungo os componentes antihelmínticos, as avermectinas, nova classe das 16-lactonas (éster formado pela desidratação de um ácido-álcool), as lactonas pentaciclicas, publicando, na mesma revista, o trabalho “Avermectins, new family of potente anthelmintic agents: isolation and chromatographic properties”. A descoberta de Miller foi confirmada, nos anos 80, por outros estudiosos do assunto, W.C. Campbell e colaboradores. As avermectinas são dissacarídeos constituídos pela mistura sintética da 22,23-dihydroavermectin B1a com a 22,23 dihydroavermectin B1b.
O impacto da ivermectina no tratamento da oncocercose e da filariose levou a Academia Sueca a conceder ao irlandês William C. Campbell e ao japonês Satoshi Omura o prêmio Nobel  de Medicina de 2015, repartido com a chinesa Youyou Tu pelo desenvolvimento da artemisinina, poderoso medicamento contra a malária.
A ivermectina (Mectizan; 22,23-dihydroavermectin B1a) é um derivado semi-sintético da avermectina B1a, conhecida por abamectin, inseticida usado na proteção das colheitas. Hoje, a ivermectina é usada no tratamento de um amplo espectro de infecções causadas por artrópodes (insetos, piolhos, carrapatos) e vermes redondos (nematódeos) que infectam o gado, animais domésticos e o homem.
Outros sais são a abamectina, mais tóxica do que a ivermectina e usada em bovinos e a doramectina, que permanece mais tempo no organismo, o que a torna  útil no controle das reinfecções, usada em suínos e bovinos
No homem a ivermectina tem importância no arsenal terapêutico usado no controle de massa e no tratamento da oncocercose, infecção determinada pela filária Onchocerca volvulus. As filárias são vermes nematóides que vivem no tecido subcutâneo e nos vasos linfáticos. As oito espécies de filária infectam 140 milhões de pessoas em todo o mundo e são transmitidas por espécies específicas de mosquitos. A oncocercose, transmitida pela mosca preta (Simulium), infecta 13 milhões de pessoas no mundo, havendo pequeno foco no Brasil. Como a mosca procria ao longo de rios com correntes fortes, limitando os seus vôos a poucos quilômetros, a cegueira determinada em muitos casos não tratados é conhecida por cegueira do rio.
Embora o diethylcarbamazine seja atualmente a droga de eleição no tratamento da filariose linfática (conhecida no interior brasileiro por elefantíase por caso do grande aumento dos membros inferiores por obstrução dos linfáticos regionais) causada pela Wuchereria bancrofti, pela Brugia malayi ou pela Brugia timori, a ivermectina continua sendo uma alternativa. É a filariose mais comum, infectando mais de 80 milhões de pessoas em todo o mundo. A W. bancrofti é transmitidas por mosquitos Culex fatigans nas regiões urbanas e por Anopheles e Aedes nas zonas rurais. A B. malayi é transmtida por mosquitos Mansonia e Anopheles e a B. timori por Anopheles. No Brasil há infecções pela W. bancrofti.
Nos humanos a ivermectina ainda pode ser usada no tratamento da estrongiloidíase, embora não seja a droga de primeira escolha, escabiose (sarna) e pediculose (piolhos).
A ivermectina age nos estágios evolutivos dos parasitas. Imobiliza os organismos induzindo paralisia tônica (em contratura, tensão contínua) da musculatura. Inicialmente pensou-se que agia modulando a neurotransmissão  interagindo com os canais de cloro (Cl-) mediados pelo GABA (ácido gama amino butírico), como admitiam os estudos dos chineses Pong e Wong, em 1980.  Os clássicos estudos posteriores, usando o nematódeo de vida livre Caenorhabditis, mostraram que a ivermectina age potencializando e/ou ativando diretamente os canais de cloro controlados pelo glutamato e sensíveis a ela. Esses canais são encontrados somente em nervos e células musculares dos invertebrados e, potencializados, aumentam a permeabilidade das membranas aos ions Cl- levando à hiperpolarização (durante o qual não há respostas aos estímulos) com paralisia e morte do parasita. Hoje, sabe-se que a ivermectina tem também grande afinidade pelos canais de cloro controlados pelo GABA em nematódeos, como os áscaris, e em insetos, mas as suas conseqüências fisiológicas ainda não estão bem claras. A falta desses canais com receptores sensíveis  à ivermectina em cestóides (platelminto, vermes chatos, em forma de fita, segmentados que se prendem à parede intestinal por meio de ventosas e ganchos, como a tênia, conhecida popularmente por solitária) e trematóides ( platelminto, verme de corpo achatado, não segmentado, em forma de folha e que se fixam à parede intestinal por ventosas ou ganchos, como o esquistossomo) explicaria a falta de ação dela sobre esses parasitas. A ivermectina pode interagir com os receptores GABA do cérebro dos mamíferos, mas a afinidade pelos receptores dos invertebrados é mais de cem vezes maior. Nos mamíferos os canais iônicos mediados pelo GABA somente estão presentes no cérebro e a ivermectina não atravessa a barreira hematoencefálica em situações normais; além disso, os mamíferos não possuem nos seus nervos e células musculares canais de Cl- controlados pelo glutamato.
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Mensagem por DAVI COUTINHO em Dom 11 Out 2015, 20:48

Boa noite amigos do Universo dos Canários!

Ótimo trabalho Dr. José Carlos! Obrigado por compartilhar em nosso fórum material acadêmico de primeiro quilate sobre este importante medicamento, a nossa popular ivermectina. 
São informações técnicas como estas, que examinadas com paciência, podem lançar luz sobre o valor terapêutico de um medicamento amplamente usado, mas parcialmente desconhecido por muitos de nós.
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Mensagem por Paulo B em Seg 12 Out 2015, 08:48

Posso usar o ivomec agora durante a reprodução, pois vi um piolho num filhote de mandarim morto ao retira-lo do ninho, como tenho canários, mandarins e periquitos no mesmo ambiente desconfio que os outros podem ter, tenho até aquela formula que foi passada aqui no fórum de fumo com alcool contra piolho, até nesse casal onde vi o piolho coloquei um pingo na nuca desse alcool com fumo puro para teste se não ia fazer mal mas está tudo nomal, ou posso colocar ivomec em todos na nuca.....
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Mensagem por DAVI COUTINHO em Seg 12 Out 2015, 14:53

Boa tarde Paulo e amigos do Universo dos Canários!

Não vou dizer que não pode usar Ivomec, principalmente o azul Pour on. Mas o ideal seria o Kill Red, é só pulverizar tudo que o problema desaparece, e não é tóxico para os pássaros. É sem dúvida o melhor exterminador de piolhos que existe.


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