Crossing-Over

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Botão em Curso Crossing-Over

Mensagem por MARTÍN em Ter 25 Mar 2014, 21:31

O termo "crossing-over" é de uso universal em genética, não havendo nos idiomas comuns, uma palavra que o traduza.

Podemos dizer "permuta, troca de fatores ou recombinação".
Há, em genética, um fenômeno que se opõe ao crossing-over que é denominado "linkage", o que podemos traduzir por "ligação fatorial".
Nosso tema é crossing-over, mas faremos uma sinopse sobre ligação fatorial, assunto que estará relacionado com as cores combinadas. Consideramos um fato novo, o tema linkage em canaricultura, pois não tivemos ainda a oportunidade de ver este assunto tratado na atividade. É certo que em muitas cores ligadas ao sexo podem estar sob a influência de gens, em ligação fatorial.
O fenômeno da linkage foi descoberto pelos trabalhos de Bateson e Punnett, em experiência com ervilhas. Observaram eles que, em casos especiais, a lei de Mendel, referente à independência não ocorrida. As primeiras hipóteses nesse sentido datam de 1906. Coube, contudo, a Morgan, em 1910, fixar definitivamente os postulados da linkage.


Em resumo, a linkage pode ocorrer quando determinados gens estão tão próximos em um mesmo cromossomo que a separação deles pelo processo de crossing-over não se dá, ou se dá de forma muito excepcional.


Os primeiros estudos da linkage se referiram a fenômenos relacionados no cromossomo do sexo. A partir de 1914, os estudos da linkage se desenvolveram também para pesquisas nos cromossomos autossomais.

A linkage pode se apresentar de duas formas:

a) Linkage completa.
b) Linkage parcial.

O crossing-over é o oposto da linkage, pois diz respeito exatamente à separação de gens.
     
Existem várias teorias a respeito de crossing-over e, por serem várias, poderemos, em princípio, concluir que o mesmo não se encontra ainda devidamente explicado. A verdade é que não se sabe ainda como ocorre e nem com que freqüência ocorre.

Entre renomados geneticistas de notório saber, os mais citados em trabalhos referentes ao crossing-over são Hedane, Levine, Janssens, Cooper, Darlington, Schwartz, Bridger Matsuro, com sua teoria neo-clássica e White.

Darlington postulou uma teoria muito aceita, denominada "teoria moderna", em 1934. Todos estes cientistas e outros mais, têm pontos que se chocam. Podemos dizer que há uma sucessão de conflitos.

Uns dizem que o processo é mecânico, outros físicos e hoje, modernamente, que é químico.

A teoria de mais fácil compreensão é a clássica de SAX (1932), denominada teoria dos dois planos. Ressalvamos aqui a teoria de SAX hoje em dia é muito combatida, porém, ela diz bem o que necessitamos entender. Em síntese, ele postulou que crossing-over é uma troca de gens, conseqüência de um cruzamento anterior de cromatídeos não irmãos.
Já sabemos o que é meios, e quando estudamos hibridologia, e como se dá a formação dos espermatozóides.

Vamos agora rever essa parte, porquanto o crossing-over ocorre nessa fase. Segundo Bridger (1916) e universalmente aceito, a meiose possui cinco fases: prófase, prometáfase, metáfase, anáfase e telófase. A primeira fase está subdividida em cinco estágios: zigóteno, paquíteno, diplóteno e diacinese. O crossing-over só ocorre na espermatogênese e nunca na ovogênese.

Leptóteno: no primeiro estágio os cromossomos estão soltos na célula. São 18 no total em uma célula de canário, representados sexualmente por xx.
Zigóteno: neste estágio os cromossomos se pareiam formando ao todo nove pares, iniciando o processo de união.
Paquíteno: no terceiro estágio os cromossomos completam o pareamento e se unem, formados os bivalentes.
Diplóteno: no quarto estágio novamente se separam, para, em seguida, agora só os cromossomos de sexo, se dividirem cada um em duas cópias, idênticas, se for uma divisão normal e com alguma modificação genética pode ocorrer o crossing-over.

O Crossing-over na Canaricultura

Há dois casos clássicos em canaricultura. Iremos tratar especificamente de um deles
Os machos obtidos destes acasalmentos serão negro/ marron oxidado heterozigotos (portadores de isabelino). Não existe o canário crossing-over, como já vimos, é um fenômeno genético, havendo o canário susceptível de apresentar o fenômeno. A esses canários, o nome que vem sendo usualmente aplicado é a expressão francesa "PASSE - PORTOUT", usado tanto por eles quanto pelos ingleses, espanhóis, holandeses, italianos, entre outros. Na literatura italiana vamos encontrar também a palavra "GRIMALDELLO", com o mesmo sentido (graus).

Nem uma nem outra é a terminologia que se possa deduzir por elas mesmas como as características intrínsicas do tipo do canário. Sabendo que elas querem significar, vamos seguir adotando a mais comum: passe-partout.

Não temos, em português, uma palavra que exprima com exatidão as características do canário em questão.

Podemos definir o canário passe-partout como sendo um macho susceptível de nos dar pelo processo crossing-over, múltipla variedade de cores em sua descendência.

Como exemplo, faremos um acasalamento de Mc àgata com Fm canela: os filhotes Mc serão do tipo negro/ marron oxidados, com hereditariedade canela, ágata e isabelino. Essa última hereditariedade se dá pelo processo de crossing-over e a hereditariedade canelas e ágatas estão independentes nos correspondentes gametas.
Esse canário, fenotipicamente, será um exemplar pouco competitivo em termos de concursos. A dominância de negro e da oxidação se faz sentir, mas em gametas diferentes é prejudicada pela ausência de seus correspondentes homólogos. Isso implica na manifestação melânica do negro, via de regra, meio borrada de canela e quase sempre mais estreita, apresentando desenhos atípicos em relação àqueles do exemplar negro/ marrom oxidado, faltando ainda, por vezes, a devida oxidação em partes como bico, penas e unhas.

Observação a incidência do fenômeno crossing-over em canaricultura, não há registro de um controle estatístico. Não sabemos com que freqüência ocorre.

Admitir que seja relativamente freqüente, pelo que temos observado e por experiências próprias. É um recurso que pode e deve se aplicado pelo criador, principalmente para iniciar a trabalhar com uma determinada cor, evitando maiores despesas.

Com o uso dessa prática, a diversificação do plantel se faz rapidamente. O criador de maior porte e de fins competitivos, deverá dar preferência por pássaros homozigotos, para as devidas cores consideradas, tendo em vista serem elas, via de regra, melhores exemplares do que os heterozigotos, em termos competitivos.


Autor: Amadeo Sigismondi Filho


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Mensagem por DAVI COUTINHO em Qui 27 Mar 2014, 23:29

boa noite amigos do Universo dos Canários!

Muito boa esta matéria do nobre Juiz Amadeo Sijismondi Filho.

Sempre que falamos em genética é impossível não aparecer esses vocábulos quase indecifráveis, mas é importante sempre  aproveitarmos esses artigos para aprender mais um pouco. 
Aqui veremos como tirar proveito do crossing-over para começar uma criação de canários nas cores clássicas usando poucas matrizes.

Para quem está começando e quer ter as quatro cores clássicas sem gastar muito dinheiro, aqui temos a oportunidade de trabalhar com os canários de cor de fundo amarelo (verde, ágata, canela e isabelino) e de fundo branco recessivo nas cores prateadas (azul, ágata, canela e isabelino) com uns dois casais de cada cor de fundo.

Por experiência própria o melhor passe partout, (onde melhor se encaixam os genes recombinantes) é o negro marron originário do acasalamento entre um macho isabelino x fêmea verde. Neste caso temos a certeza de que os dois são homozigotos, já que o macho isabelino, não porta ágata, canela ou verde e a fêmea verde também não.
 
O cromossomo y da fêmea é vazio cromaticamente para as cores clássicas, isto é, uma fêmea verde, ágata, canela ou isabelina sempre mostrará no seu fenótipo sua conformação genética.

Trabalhando com canários de fundo amarelo; deste acasalamento macho isabelino x fêmea verde, (sempre acasalando intenso com nevado) todos os machos serão verdes portadores de ágata, canela e isabelino (passe partout) e todas fêmeas serão isabelinas. Com a vantagem de poder conhecer os machos e fêmeas ainda no ninho, pois os filhotes isabelinos enquanto são novinhos tem os olhos rosados.

Trabalhando com canários de fundo branco recessivo; macho isabelino prateado recessivo x fêmea azul recessivo,  teremos todos os machos azul recessivo portador de ágata prateado, canela prateado e isabelino prateado, e todas fêmeas serão isabelinas prateadas.

Com apenas dois casais de cada linha podemos ter as quatro cores clássicas com fundo amarelo e branco em nossa criação.
Depois é só continuar os acasalamentos dos filhotes de um casal com os do outro de forma seletiva para melhorar a qualidade dos exemplares.
De preferencia acasalando fundo amarelo x fundo amarelo e fundo branco x fundo branco.

Um abraço a todos;
Davi Coutinho.
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